terça-feira, 25 de agosto de 2015

Ponto cruz: entrevista com o artesão Wagner Reis


Wagner Reis é o professor de ponto cruz no Canal do Artesanato e pratica a técnica desde criança. Quando ele tinha 12 anos, pediu os materiais (linha, tecido, agulha) a uma vizinha que bordava e em casa aprendeu a fazer sozinho, aos poucos. Aos 15 anos, já fazia panos de prato, toalhas, quadros, entre outros, para uma de suas tias, com quem morava.

Antes de dar aulas no Canal do Artesanato, o artesão começou um blog e um canal no Youtube. Na entrevista abaixo, ele conta um pouco de sua história e sua experiência de utilizar a internet para divulgar seus trabalhos, além de curiosidades das aulas do Canal. Confira:

- Quando você pensou em trabalhar com ponto cruz?
Comecei a trabalhar quando fazia o curso de Nutrição e levava meus trabalhos para vender na faculdade. Não sei, acho que era uma época em que o artesanato não estava muito bom, ou talvez eu não entendia muito bem de Marketing para divulgar as coisas. Levava as peças e as pessoas não compravam, mas achavam muito bonitas. Então, fiz um vídeo, mostrando as peças que fazia, e coloquei na internet, com meu telefone e endereço do blog ao final.

Depois, desisti do artesanato. Eu desistia e voltava, mas nunca parei de fazer realmente. Procurei técnicas de como trabalhar na internet e vi informações sobre o Youtube, uma ferramenta que temos como trabalhar, pois tem retorno financeiro.

- Por que você decidiu começar a trabalhar na internet?

Foi uma experiência estranha. Quando comecei a trabalhar com o Youtube, eu trabalhava em um sebo de livros. O patrão me mandou embora por um motivo sem sentido e eu acreditei na hora. Após alguns dias, passei na frente do sebo e tinha alguém no lugar, ou seja, ele me mandou embora por outro motivo e não foi sincero comigo, o que eu teria preferido. Prometi a mim mesmo que nunca mais iria trabalhar com alguém, com chefe dando ordens, com horários.

Foi assim que comecei a procurar informações de como trabalhar na internet, com blog. Gravei o primeiro vídeo, bem básico, com um tablet, não tinha nenhuma didática, mas vi que havia um retorno muito grande, as pessoas queriam muito que eu falasse mais coisas.


- Você sentiu necessidade de pesquisar mais sobre ponto cruz?

Então, quando fui ensinar para internet, tive de me reciclar, porque tudo o que eu aprendi, aprendi sozinho. Pegava a revista que tinha um passo a passo e ia seguindo, mas nada muito aprofundado, geralmente era muito superficial. Comecei a pesquisar em sites estrangeiros técnicas de ponto cruz, onde podia aplicar, técnicas do pingado também e aí foi isso, virei aluno do ponto cruz também.

- Foi assim que você descobriu a técnica do pingado?

Na verdade, eu já fazia antes. Vi que em sites da China e do Japão eles fazem muito isso: a indústria do ponto cruz é muito maior lá do que no Brasil. Eles têm canetinhas específicas para isso - a que eu utilizei, fiz uma adaptação para o pingado, porque ela sai na água. Outra característica do Brasil é que as artesãs prezam muito pelo avesso perfeito, que é todo na vertical. Fora do Brasil, não existe isso. O avesso deles é muito carnavalesco. Quando elas veem isso, a forma como eu ensino, elas gostam muito, sabe.

- No Canal, você borda em camisetas. Como você começou a fazer isso? É diferente.

A primeira vez que fiz isso eu tinha uns 15 anos, fiz para uma tia minha, ela tinha uma calça bem bonita, jeans, e eu coloquei o étamine, bordei por cima e depois desfiei. Sei que ela gostou muito. Só que eu nem sabia que tinha técnica para isso. Às vezes, é bom utilizar um tecido como o linho e o cânhamo que tem a trama mais aberta, é mais fácil para desfiar.

- Tem outro jeito que você mostra no Canal, mas sem o étamine.

Isso, é o bordado livre. Desta forma, você faz os pontos de maneira aleatória, um ponto aqui, outro ali, o que é legal também. O interessante do ponto cruz é que ele combina muito bem com outras artes, como crochê e pintura. Já vi ponto cruz em parede, com tinta: você faz o ponto com lápis, depois pinta. É bem legal, dá para fazer bastante coisa.

- No Canal, você ensina a começar o ponto cruz e a fazer o arremate de várias formas. Você acredita que não tem o jeito mais certo de fazer, mas talvez o que a pessoa se adapte ou goste mais?

Exatamente. Na verdade, quando fui me expor na internet, vi que as pessoas mais tradicionais fazem da maneira tradicional: o arremate é feito de uma forma, a execução dos pontos é de um jeito. Quando vi esta realidade, percebi que eu fazia de uma maneira totalmente diferente. Pensei, então, em focar nisso, porque é uma coisa nova, diferente. Neste processo, comecei a inventar formas de começar e arrematar o ponto cruz.

- É obrigatório ter presença na internet, fazer um blog, ou é só algo que ajuda, dá para confiar no boca a boca?

Acho que tudo depende. No boca a boca, funciona se você já tem a sua clientela, se ela divulga para outras pessoas, se sempre que ela precisa de uma peça, vai atrás de você. Mas hoje, com a internet, é muito mais fácil para você divulgar suas coisas.

- Como você decide quais aulas entram no Canal?
Focamos para o Canal nas técnicas de começo e arremate, várias aplicações, mas sempre tentamos otimizar o tempo. Acho o Canal muito interessante porque a pessoa que trabalha com artesanato tem uma mente diferente das outras pessoas. Ela sai de uma técnica e vai para outra. No Canal do Artesanato, tem todas as técnicas. Acho isso muito bacana.

Outra coisa é a questão do tempo, hoje, principalmente em cidade grande, não temos muito tempo para ver as coisas, então você se organiza para depois do trabalho e aos finais de semana ver as aulas do Canal.

- Você fazia Nutrição, fazia ponto cruz há bastante tempo, mas “caiu de paraquedas” para fazer blog. Como você aprendeu a fazer os textos e vídeos que queria: foi tentativa e erro?

Tentativa e erro, mas eu sempre fui uma pessoa muito curiosa. Às vezes, buscava dicas de alguma pessoa sobre marketing digital: “como escrever um título que atraia o seu cliente”. Então, vejo essas técnicas na internet, de pessoas que trabalham com blog. Geralmente, há muitas dicas de blogueiras, mas são blogueiras de moda, de maquiagem, de fitness, de esmalte. No artesanato não tem isso, então há um espaço muito grande. Consegui pegar as dicas delas e aplicá-las no meu mercado. Sempre vejo também dicas de empreendedorismo, de marketing digital, para colocar nos meus vídeos, no meu blog também.

O ponto cruz é uma coisa bem simples: muita gente sabe fazer. Mas, talvez, da maneira que eu divulgo, como escrevo os meus posts, ou pela presença nas redes sociais, aquilo chama atenção. Então, uma coisa que é simples, você agrega valor a ela e ela se torna bem mais valiosa.


Acesse o Canal do Artesanato para assistir às aulas do artesão Wagner Reis e de todos os outros professores que compõem o Canal. O primeiro mês é grátis e você terá acesso a mais de 600 aulas diferentes, com vídeos novos todos os dias.

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