quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Entrevista exclusiva com Mateus Moraes

Mateus Moraes é um dos professores de tricô do Canal do Artesanato e uma das pessoas que mais entendem da técnica no país. O artesão e fashionista já participou de diversos congressos sobre a técnica, sempre busca estudar e se aprimorar cada vez mais, mas como todo mundo, ele também não entendia de nada a respeito do tricô quando começou.


Mateus prefere agulhas circulares, que dão mais flexibilidade
na hora de criar as peças e permitem o tricô sem costura

Na entrevista abaixo, Mateus conta a respeito de suas experiências, aponta características do tricô no Brasil, dá dicas de como precificar as peças e muito mais. Acompanhe:

- Por que você começou a fazer tricô?

O tricô surgiu na minha vida a partir da necessidade de ganhar dinheiro extra para pagar um curso de inglês. Dentro de todas as artes manuais, essa foi a mais fácil para mim por eu conviver com algumas pessoas que tinham muito conhecimento sobre tricô e crochê.

- Você teve grandes dificuldades quando começou a fazer?

O meu aprendizado foi lento, pois eu precisava absorver a lógica da construção em tricô e entender o tecimento, algo que não aconteceu de forma rápida. Mas a persistência aliada à necessidade foram minhas grandes amigas em todo esse processo.

- Quais conhecimentos são importantes para uma tricoteira poder criar e fazer suas próprias peças?

Além dos pontos básicos: tricô, meia e laçada, uma tricoteira que ainda está em nível inicial, ou seja, ainda não foi além do cachecol, precisa praticar a construção de peças, como: blusas, casacos, entre outros, através de receitas prontas. Aprendendo a interpretar e executar receitas, a tricoteira desenvolve a criatividade, passa a conhecer vários tipos de construções e com o tempo vai se sentir capacitada para elaborar e dar vida às suas próprias criações.

- Quais são as principais características do tricô brasileiro?

No Brasil, ainda se utiliza muito o fio acrílico. Essa linha tem um valor de custo mais acessível ao consumidor, mas sua desvantagem é a pouca durabilidade da peça. Existe o tricô de verão, que é muito executado com as fibras vegetais. O nosso tricô é bem regional e os grandes polos, como Monte Sião, por exemplo, fazem muito tricô à máquina. Embora eu não tenha nada contra este tipo de tricô, sou fascinado pela malharia manual.

- O que a tricoteira deve ter em mente na hora de precificar e defender suas peças para o cliente?

Sempre sugiro visitar sites específicos de venda para produtos artesanais com o propósito de fazer uma pesquisa de mercado e depois precificar o seu trabalho. Quando eu faço uma peça para vender, calculo o valor de todos os materiais utilizados (desconsiderando o valor das agulhas e tesouras), multiplico por três e somo mais cinquenta por cento. Trabalho artesanal e manual não se pechincha; negocia e se abaixa o preço. Quando o cliente compara o trabalho pronto com o do concorrente, como consumidor ele tem o direito de pagar o que for melhor para ele, e o artista tem o direito de vender para quem pode pagar, pois só quem sabe fazer é que conhece o trabalho que dá!

- No Brasil, o tricô é muito associado ao frio. Quais são os segredos para fazer peças que vão bem durante períodos de calor?

Para o verão, recomendo fios de origem vegetal, como: algodão, fibra de bambu e viscose; usar pontos rendados e cores vibrantes.

- No Canal, você explica como são os diversos tipos de agulha. Qual é o seu tipo favorito para tricotar?
Sou fã incondicional das agulhas circulares por serem mais leves e por me permitirem explorar inúmeras possibilidades, como por exemplo: o tricô sem costurar.

- Em sua opinião, qualquer pessoa consegue aprender a fazer tricô?

Sim. Independente de qualquer limitação física, motora ou cognitiva.

- Quantas horas uma pessoa precisa praticar por dia quando começa?

Depende da necessidade e do tempo de cada pessoa. Eu pratiquei por três dias durante várias horas até entender todo o processo lógico do tricô e depois fui me propondo desafios.

- Quais novidades as pessoas podem esperar das aulas do Canal?

Surpresas estão por vir! Me aguardem! Obrigado pela credibilidade.

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